Shop Mobile More Submit  Join Login
×

:iconb-jester: More from B-jester


More from DeviantArt



Details

Submitted on
November 15, 2012
File Size
12.3 KB
Submitted with
Sta.sh
Mature Content
Yes
Link
Thumb

Stats

Views
224
Favourites
5 (who?)
Comments
13
×
Mature Content Filter is On
(Contains: sexual themes and strong language)
Gabriel andava pelas ruas escuras, esperando que algo extraordinário acontecesse. Já era quase madrugada e perdera o último ônibus.

A noite estava gelada e seca, como sempre era nessa época do ano. O pouco vento que conseguia atravessar as fendas entre os velhos prédios pichados o fazia se encolher, apertando o capuz e aconchegando-se no agasalho, na vã esperança de sentir-se um pouco mais quente. A sua volta, nas entradas dos prédios abandonados, cartazes com sinais de proibido indicavam que alguns deles estavam condenados a uma demolição que poderia demorar anos, ou talvez nunca acontecesse. Eram também o lar de várias famílias sem alternativa, e de mendigos e vagabundos.

Andava devagar, pois não tinha nenhuma pressa. Ninguém o esperava em casa. Morava sozinho havia três anos e não sentia qualquer falta do Orfanato.

As ruas estavam quase vazias, ou assim parecia à primeira vista. As pessoas que apareciam nas sombras do Distrito XXI-D não o intimidavam. Passava por elas com o capuz do agasalho sobre a cabeça, sem fazer contato visual ou dar atenção às lamúrias dos pobres ou às prostitutas que lhe ofereciam um boquete por apenas E$6,00. Do outro lado da rua, sentia a vigilância de um cafetão disfarçado de mendigo, atento a quem aceitava ou não a oferta.

As sombras do distrito D se avolumavam na noite, quando as luzes das sirenes sumiam e se iniciava o Recolher. Não havia, efetivamente, uma proibição de se ficar nas ruas, mas o último ônibus trafegava já quase tarde demais, como uma brincadeira macabra para por em perigo aqueles que se atrasavam. A polícia não fazia mais rondas a essa hora, e as sombras então engolfavam tudo, quando logo depois a eletricidade dos distritos C, D, E e F era aos poucos cortada, como medida de economia, diziam. E, em algum momento entre os badalares do Relógio Central, as ruas tornavam-se apenas escuridão.

A ausência de segurança forçava as pessoas a se refugiarem em suas casas, mas Gabriel não se preocupava com isso. As ruas não lhe eram estranhas a essa hora e reconhecia os movimentos sutis que só o escuro permitia: dois jovens entrando em um beco, aguardando um velho ou uma menina atrasados, para assaltar ou estuprar. Talvez ambos; na calçada, uma mulher pedia esmola, próximo da porta do puteiro "Damas" escondendo debaixo dos trapos uma arma, possivelmente uma pistola; em bares iluminados com archotes e velas, homens cansados demais de suas próprias vidas jogavam em sinucas velhas e se embriagavam com bebidas de péssima qualidade. Cenas que mudavam de sujeitos, mas se repetiam sucessivamente.

Para Gabriel todos os rostos pareciam iguais. As mesmas pessoas que ele poderia ter visto há seis meses, ou ainda há cinquenta anos. As mesmas pessoas que ele veria em três ou talvez trinta anos.

Não eram os perigos imediatos e óbvios que o preocupavam. O Orfanato o ensinara bem e poderia lidar com quaisquer desses contratempos. Preocupava-se, na verdade, com aquilo que não poderia ser visto. As grandes jogadas. Há algum tempo, seis meses já, que não possuía mais noção de onde e quando elas aconteciam. Há seis meses, na verdade, que havia fugido disso.

Tentava, enfim, terminar as séries de aprendizado Intermediárias. Com sorte, poderia conseguir uma vaga nas Avançadas. Suas notas eram boas o suficiente para isso. Suas economias permitiriam que as pagasse agora, e poderia, quem sabe, ter uma boa vida. Talvez se mudar, eventualmente, para os distritos C ou B, para um apartamento módico e com um emprego comum. Uma vida sem sobressaltos. Era o que queria, quando se afastou.
Foi o grito de uma mulher, não muito alto nem muito claro,possivelmente abafado por uma mão ou panos, que o despertou de seus devaneios. Perdera a concentração nas ruas. Um deslize amador e preocupante.

Puxou o zíper de sua jaqueta até o final, tremendo pelo frio. Uma névoa esbranquiçada se formava de sua respiração e, ao notar a aproximação de um garoto, segurou com mais força o Visor Portátil Ankar que carregava e acelerou um pouco o passo, atravessando a rua sem carros transitando. Ao mesmo tempo, tocou com a mão livre uma cicatriz de um corte no lado direito do rosto e um arrepio percorreu sua espinha.

Havia escombros nas ruas. Há poucos dias, houve uma passeata que se desenrolou em uma revolta, violentamente reprimida. Carros queimados e pneus amontoados ainda estavam ali, já que ninguém se deu ao trabalho de retirá-los, como fizeram com os corpos. A luta mais sangrenta aconteceu embaixo de sua varanda, enquanto ele, confortavelmente, via televisão e comia uma tigela de macarrão instantâneo.

Os tiros daquele dia mataram quase trezentos protestantes, que exigiam que os racionamentos de eletricidade e mantimentos cessassem. Gritavam por segurança e direitos políticos para representantes de todos os Distritos. Eram tolos idealistas, claro. Nunca um protesto resolvera algo. Mas a bomba do Louco, isso foi efetivo. Dezenove policiais da Força de Controle - mais algumas dezenas de manifestantes. - viraram fumaça vermelha e restos de carne no chão, como estampava a chamada da manchete do "Diário" no dia seguinte.

Seu prédio era um antigo edifício com tijolos vermelhos e muitas pichações. Havia um símbolo, uma representação de dois machados, que indicava que essa área pertencia a uma gangue. Gabriel a conhecia, claro. Era assaltado pelos garotos quase semanalmente. Mas era assim que funcionava. Não estava disposto a mudar o sistema. Ao menos sua casa estaria relativamente segura enquanto não causasse confusão,com apenas uma gangue tendo o controle da região.

Havia três portas de aço que separavam a rua do interior do prédio, cada uma com uma fechadura. A última estava quebrada, pois ninguém se dispôs a arrumá-la. Gabriel entrou, chutando algumas caixas de papelão com lixo que se acumulavam perto da escada, em umas das portas de um vizinho do térreo. A porta dele tinha uma corrente grossa, além de uma grade de ferro. Morar no térreo no distrito D era quase suicídio. Embora ainda fosse melhor que morar em XXI-E ou XXI-F.

A escada subia sem nenhuma iluminação, fosse a essa hora ou em qualquer outro horário. Ouvia o choro do bebê de um dos apartamentos do primeiro andar, apelidado pela voz estridente da mãe de "Tchuqui". Todos os dias, ela implorava aos gritos, pelo amor de Deus, para que ele parasse de chorar. Isso nunca acontecia.

Gabriel se surpreendia como as pessoas do Distrito D ainda podiam acreditar em deus.
O segundo lance de escadas levava ao andar do velho. Ele nunca falou com o senhor de um daqueles apartamentos do segundo andar, mas todas as manhãs ficava contente por acordar com composições clássicas que não conseguia reconhecer. Acreditava, e gostava de pensar assim, que o próprio velho tocava, todos os dias, em um piano negro que ocupava toda a sala.

O terceiro andar, como o primeiro e o segundo, levava a um corredor escuro com dezoito portas. A sua era a quinta à esquerda, que dava para a rua lateral do prédio. Um espaço de quase dezenove metros quadrados, sem divisão entre quarto, sala, banheiro e cozinha. Uma casa sua, com cheiro de mofo.

A medida que caminhava pelo corredor, podia sentir o medo causado pelo barulho de seus passos naqueles que estavam dentro dos apartamentos trancados com correntes e grades de ferro. Houve um arrombamento no mês anterior, três mortos, dos quais dois foram violentados antes de assassinados. Tudo foi roubado.

Gabriel abriu sua grade com tranquilidade. Sua porta estava trancada também. Colocou a chave na fechadura e sorriu ao virá-la e dar duas voltas.

Após trancar a porta, já dentro de seu apartamento, foi até a janela, que dava para uma rua aberta e os escombros de um prédio do outro lado. A vista melhorara muito desde a explosão, tinha de admitir. Observou o escuro do lado de fora por um instante, até virar-se para sua cama, cumprimentando um velho conhecido.

- Bata na porta, Denser. Não é educado invadir a casa dos outros. E também desnecessário.
Um garoto, não mais que dezenove anos, só um pouco mais novo que Gabriel, estava sentado de pernas cruzadas sobre o colchão com lençóis desarrumados. Usava um uniforme preto, colado ao corpo. Os cabelos castanhos estavam bagunçados e máscara que poderia lhe cobrir a cabeça inteira pendia para trás.

- Queria testar seu sistema de segurança. Ele deve ser muito bom. Sequer consegui encontrá-lo.

Gabriel acendeu o fogão e pegou uma frigideira usada com óleo rançoso na bancada ao lado, colocando-a no fogo. Apertou alguns botões no microondas, marcando um minuto.

- Não tenho um sistema de segurança, Denser. Custa muito caro, não tenho como pagar.

Abriu a geladeira quase vazia, pegando alguns empanados que estavam na porta e jogando-os na frigideira, cujo óleo do dia anterior estava derretendo e estalando. Gabriel puxou uma cadeira, sentando-se na mesa que ficava quase no centro do apartamento. Puxou um maço do bolso e acendeu um cigarro com um isqueiro prata. Ofereceu ao outro, que aceitou e também o acendeu, com um isqueiro idêntico.

- O que faz aqui, Denser? O Orfanato prometeu me deixar em paz. – Gabriel tragou o cigarro, olhando diretamente nos olhos do outro garoto.

- Não posso ficar com saudades de um velho amigo? Ou deixamos de ser amigos, só porque você conseguiu o Indulto? – Denser esboçava um sorriso no rosto, encarando Gabriel.
Gabriel sorriu. E bateu as cinzas no cinzeiro sobre a mesa.

- É claro que não. Mas achei que nunca mais fossemos nos ver.

- E eu achei que você fosse trabalhar de freelancer e a essa altura estaria morando em uma cobertura no distrito B, como os outros Indultários.

O microondas apitou, indicando que o tempo marcado acabara. Gabriel se levantou e abriu-o, retirando uma embalagem de comida chinesa.

- Servido? – Gabriel abriu a gaveta, pegando um hashi. Foi até a frigideira e pegou os empanados, jogando-os na embalagem. Desligou o fogo, correndo os olhos pela sala. Voltou a encarar Denser.

- Não, obrigado. - Houve um silêncio - Não há bugs, a propósito. Mas não precisa confiar em mim, pode procurá-los, se quiser.

Gabriel começou a andar pela casa. No único armário, abriu com uma de suas chaves um pequeno cofre disfarçado, no qual havia uma caixa. Retirou dela, do fundo falso um pequeno aparelho. Por longos minutos, scaneou a casa inteira, até sentar-se e continuar a comer.

- Qual o trabalho? – perguntou.

- Não vai me dizer que não está interessado? Dizer que saiu dessa vida, e que agora está estudando e quer levar uma vida normal? – Denser continuava com seu meio sorriso.

- Não. Qual o trabalho? – Gabriel repetiu.

- Esperava que fosse mais difícil. – Denser falou.

- Não disse que aceitava. Qual o trabalho? – Gabriel repetiu, parando de comer para dar uma tragada no cigarro.

- Vamos roubar tempo.

Ambos ficaram em silêncio, fumando. O barulho de um tiro ecoou nas ruas, assim como um grito de dor.

- Qual seria minha parte? – Gabriel perguntou.

- Apenas quero informação, Gabriel. Como você entrou na Torre Central. E mais importante, como saiu?

Gabriel tragou fundo o cigarro. Apertou a guimba no cinzeiro e olhou para o outro garoto.

- Esqueça, Denser. É impossível fazer do jeito que eu fiz. Não dá mais. A menos que você tenha outro plano, algum que não acabe na sua morte, é impossível.

O sorriso de Denser morreu em seus lábios. Seu rosto sério se transfigurou em uma máscara vazia, um olhar frio e distante. Terminou o cigarro e jogou-o no cinzeiro.

- Você tem como me ajudar? – Ele perguntou.

- Não. Não tenho.

- Você vai me ajudar?

- Não, não vou.

- Vai contar a alguém minha missão?

- Não, não contarei.

- Pela Irmandade?

- Pela Irmandade.

Denser vestiu sua máscara e dirigiu-se a janela. Passou uma das pernas para fora, e se virou para Gabriel.

- Espero que você seja feliz, Gabriel.  Caso isso seja possível para nós.

- Obrigado, Denser. – Gabriel agradeceu. Denser já não estava mais lá.
Primeira parte de um conto, que integrará uma série de contos.
Add a Comment:
 
:iconmarcelmiranda:
Visão (5): Mundo pós desastre! Mistérios! Sociedade reformuladas! Realmente, Bruno, você acertou em cheio no ponto fraco! :D Adorei como você desenhou com letras a caminhada de Gabriel por entre os prédios acabados e a atmosfera triste que os moradores de lá passam. A cenário do conflito com corpos ainda no chão me deixou pasmo. Realmente, consegui criar em minha mente algo tão real que pude sentir o cheiro de carne a pneus queimados! Gostei, também, de como você mostrou os medos das pessoas. Medo de morte, fome, solidão... PERFEITO! :clap:

Originalidade (4): Bem, mundos como esse que você descreveu já ficaram meio manjados, mas você fez um excelente trabalho tomando cuidado para não deixar isso piegas (principalmente no parágrafo do medo dos vizinho de Gabriel). Sobre esse Orfanato, eu também achei meio manjado, mas não vou dizer nada mais, pois sei que você vai fazer dessa história simples ago muito criativo!

Técnica (4): Geralmente, eu iria dar cinco estrelas aqui, mas achei que você pecou quando falando dessas 'séries de aprendizado Intermediárias'. Digo isso, pois ficou tão vago que seria melhor se você tivesse deixado essa informação para uma outra parte da história. No próximo capitulo, talvez? onde o leitor já estivesse se acostumando com o cenário, talvez? O mesmo se aplica a esse 'Visor Portátil Ankar'. Pensei que isso fosse algum artefato militar ou de espionagem ou coisa parecida, mas ele não se mostrou muito importante nesse primeira capítulo... talvez no próximo. :D

Impacto (5): Não tenho nada a declarar aqui a não ser que fui arrebatado mais uma vez pela tua capacidade de descrição. Tudo pareceu tão real e forte, tão tátil, concreto, sabe? Eu já joguei muitos jogos de aventura que me passaram sensações, mas mesmo falando do seu texto (que é algo onde não se pode passar tantas informações quanto em um jogo multimídia) fui transportado para esse mundo que você criou de uma maneira surpreendente!
What do you think?
The Artist thought this was FAIR
1 out of 1 deviants thought this was fair.

The Artist has requested Critique on this Artwork

Please sign up or login to post a critique.

:iconririneu:
ririneu Featured By Owner Sep 24, 2013  Student Writer
 Bem interessante... Primeira vez que vejo você escrever prosa nesse nível (narrativa)...
 
 Não tenho muito o que comentar, mas gostei bastante. Pessoalmente, sempre me achei atraído por esses cenários pós-apocalípticos... A questão é de que maneira eles serão utilizados. A originalidade empregada. Pode-se pegar o tema mais clichê do mundo que, se bem apresentado e com um nova visão dele, é possível fazer maravilhas. Vamos ver no que dá né. Só espero que tenha um visão bem única, pois seus textos - a maioria - são bem singulares, então eu ficaria decepcionado em ver potencial desperdiçado na criação de algo convencional.
 
 Por fim, procurei a parte dois e não achei.
 Talvez tenha sido só erro meu, não tenho certeza. Você ainda continua escrevendo esse "Two Diamonds"?

 Até!
 PS: Me desculpe pelos erros ortográficos (entre eles "fim fim") ali no Mirror`s House.
Reply
:iconb-jester:
B-jester Featured By Owner Oct 7, 2013  Hobbyist General Artist
Ainda tô trabalhando na continuação. Mas minha vida tem andado muito corrida entre o trabalho e vida pessoal, tenho tido muito menos tempo que gostaria para escrever. Grato pelo elogio, tentarei fazer jus às suas expectativas =]
Reply
:iconririneu:
ririneu Featured By Owner Oct 7, 2013  Student Writer
 Relaxe, nem se preocupe muito.
 Todos vamos aprendendo, sem pressão, sem stress. Vamos indo, com calma e paciência.
 E vamos progredindo hehehe
 
 Esse seu texto é de fato bem interessante, gostei mesmo =)
 Sei como é isso de não ter tempo, acho que todos passamos por isso vez ou outra. Teve uma época que fiquei quase 1 mês sem escrever nada por falta de sentido, de inspiração (e até muito mais e com bastante frequência). Acho que é questão de achar o equilíbrio interno, e o resto vem junto (tempo, essas coisas). Bem, é a minha opinião rs

 Também tenho diversos textos na minha galeria, se você se interessar. Eles não são perfeitos, ainda mais porque coloquei vários de diferentes épocas (desdo estado primordial, quando eu estava começando a escrever, até os dias de hoje).
 Na parte "Narrative", você poderá notar que muitos textos meus tem uma visão parecida com a sua (são tristes, lúgubres).
 Ah, e sinta-se livre para criticar e ver no que posso melhorar! =]
 
 Até!
Reply
:iconmarcelmiranda:
marcelmiranda Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist Writer
:X:X:X:X:X:X:X

ARGH! Não acredito!! Escrevi um Critique tão legal para você e sem querer apertei a porra do ESC!!! Cara, me perdoa, mas eu perdi mais de meia hora nessa critique e eu estou muiuto bravo para fazer outra agora! Eu JURO que eu faço outra, okay?
Reply
:iconb-jester:
B-jester Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist General Artist
uhauhauhauhuhauha
Tudo bem, cara. Sem problemas =]
Obrigado pelo fav ^^
Reply
:iconmarcelmiranda:
marcelmiranda Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist Writer
Pense em alguém que está bravo, cara... :steaming:
Reply
:iconb-jester:
B-jester Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist General Artist
^^

Imagino. Passo por isso de vez em qd. Mas comigo é a energia acabando no meio de um texto.
Reply
:iconmarcelmiranda:
marcelmiranda Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist Writer
It's done!!! :dummy:
Reply
:iconb-jester:
B-jester Featured By Owner Dec 12, 2012  Hobbyist General Artist
^^
Muito obrigado pela crítica, Marcel!
Reply
:iconmarcelmiranda:
marcelmiranda Featured By Owner Dec 13, 2012  Hobbyist Writer
Pode contar comigo! :D
Reply
Add a Comment: